Fotos mostram que índio levou tiros de fuzil em confronto com PF no Norte de MT
Gazeta
Enquanto a Polícia Federal (PF) alega desconhecer a morte de um índio,
resultado de um conflito entre agentes do órgão na quarta-feira (07), e
também diz não ter certeza se os policiais usaram munições letais, fotos
do índio Adenilson Crishi Munduruku, 30, morto com pelo menos 3 tiros,
sendo um deles na cabeça, e diversas cápsulas de munições letais usadas
no confronto, foram publicadas no Facebook, no perfil do índio Adonias
Kaba, morador da cidade de Jacareacanga (PA) onde também é vereador.
Em 2 fotografias ele mostra o índio alvejado com um tiro na cabeça e um
ferimento provado por arma de fogo na perna do indígena. Outra foto,
índios mostram na palma das mãos as cápsulas que segundo eles, são de
fuzil e foram usadas pelos agentes da PF.
A fotografia, até este domingo (11) já havia sido compartilhada por 277
pessoas. A fotografia do indígena morto com uma marca de tiro na cabeça
já havia recebido 33 compartilhamentos. Os índios acusam o delegado da
PF, Antônio Carlos Moriel, que comandava a operação, de ser o autor dos
disparos que mataram Adenilson. O confronto que vitimou Adenilson
ocorreu após os agentes da Polícia Federal iniciarem o cumprimento de
mandados expedidos pela Justiça Federal em decorrência da Operação
Eldorado, deflagrada nesta terça-feira (6) para desarticular uma rede de
extração ilegal de ouro em terras indígenas de Mato Grosso e outros 6
estados, entre eles o Pará que faz divisa com a região de Alta Floresta
(803 Km ao norte de Cuiabá), onde foi registrado o conflito na região do
Teles Pires. Após o tiroteio, a operação foi suspensa.
O saldo final do confronto foi de 6 índios feridos, 2 com gravidade, 2
policiais federais feridos e 1 agente da Força Nacional de Segurança
(FNS) com ferimentos leves. Foram identificados como Eurico e Edvaldo
Munduruku os 2 índios que sofreram graves ferimentos provocados por
armas de fogo efetuados pelos policiais federais. Eles foram socorridos
pela PF e encaminhados ao Hospital Regional de Alta Floresta e
posteriormente ao Pronto-Socorro de Cuiabá.
Com um grupo de índios detidos após o conflito, os agentes localizaram e
apreenderam 15 armas de cano longo, arcos, flechas e bordunas, espécie
de porrete fabricado pelos índios, que seriam levados para a perícia. A
PF não informou contudo, se as armas usadas pelos policiais federais
também serão submetidas a perícia e neste caso quem ficaria encarregado
pelos trabalhos de periciar as armas usadas por seus agentes.
Enquanto isso, para a Polícia Federal a morte do indígena não ocorreu,
pelo menos oficialmente. Foi essa a versão do superintendente da Polícia
Federal em Mato Grosso, delegado Cesar Augusto Martinez, durante
coletiva convocada às pressas no início da noite de sexta-feira (09).
Ele afirmou que oficialmente nenhuma morte foi registrada durante o
conflito na divisa dos estados de Mato Grosso e Pará.
Um boletim de ocorrência, registrado pela Polícia Militar de
Jacareacanga (PA), é o único documento que atesta o fato. Segundo
informações de lideranças indígenas repassadas para a PF, o corpo de
Adenilson já foi enterrado nas proximidades da aldeia. O superintendente
do órgão em Mato Grosso, César Augusto Martinez, destaca que caso se
comprove a morte e o sepultamento do índio, uma exumação será pedida
para a Justiça. O procedimento, para o delegado, é fundamental para
elucidar o caso.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou apuração
cuidadosa sobre o caso. Disse que determinou uma apuração isenta e
rigorosa ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra que já começou a
reunir imagens, escutas e depoimentos de todas as partes. Garantiu que
se for comprovado que “houve abuso de Policial Federal, será punido.
Mas, claro, na medida em que também houve ato ilícito praticado por
indígena, nós temos de fazer a aplicação da lei como ela se coloca‘,
ressaltou em entrevista à Agência Estado.
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