11/11/2012 10h22
- Atualizado em
11/11/2012 10h22
Aumento de alcoolismo e de crimes entre índigenas preocupa no AM
Problemas estão sendo investigados por secretaria para povos indígenas.
Segundo coordenadora, fiscalização frágil nas fronteiras colabora.
Girlene Medeiros
Do G1 AM
O consumo de bebida alcoólica entre indígenas acontece, muitas vezes, durante festas
(Foto: Giliardy Freitas / TV TEM)
A presença de bebidas alcoólicas em terras indígenas do Amazonas tem
deixado espaço para a ocorrência de crimes como violência doméstica,
homicídio e envolvimento com narcotráfico, de acordo com a coordenadora
de pesquisa da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind),
Chris Lopes. O acesso às aldeias é facilitado, principalmente, em
cidades fronteiriças onde há fragilidade na fiscalização.
"Os índios chegam até a cometer suicídio e outros crimes que vão parar
na polícia. Trata-se de um problema que vai afetando a comunidade já que
ninguém compra cachaça para tomar sozinho em casa. Nesses casos, os
índios ficam sujeitos a várias ocorrências", afirmou Chris Lopes.
Os municípios de Tabatinga, Benjamin Constant e São Gabriel da
Cachoeira são algumas das cidades situadas na fronteira internacional e,
segundo a pesquisadora, exigem uma fiscalização maior. Nas comunidades
ribeirinhas, o acesso a bebidas também acontece, mas nas cidades ocorrem
mais facilmente, deixando vulneráveis as comunidades indígenas.
"Há um monitoramento de vários órgãos, mas a situação é bem difícil
ainda, já que 30% do território amazonense possui tribos indígenas.
Muitas instituições têm déficit no quadro de funcionários ou de
equipamentos e isso reflete na fiscalização", disse Chris Lopes.
Segundo a pesquisadora, não há distinção entre as bebidas consumidas
por indígenas, sendo as mais adquiridas a cerveja, cachaça e, emalguns
casaos, o álcool etílico e a gasolina. Porém, a preferida é a cachaça
que tem o custo mais baixo, é mais fácil de armazenar e não há
necessidade de refrigerar, segundo Chris.
Há ainda o caxiri, bebida fermentada à base de mandioca. "No entanto, o
caxiri tem um nível muito menor de embebedamento. Essa cultura de dar
bebida alcoólica é resultado da colonização que perdura até hoje",
acrescentou.
Chris Lopes coordena, através da Seind, um estudo de levantamento da
incidência do alcoolismo em indígenas. A pesquisa iniciou há pouco mais
de um ano e já foi aplicada em Benjamin Constant, Maués e iniciada em
Atalaia do Norte. Os dados ainda são preliminares, mas já se verifica a
comercialização da bebida de diferentes maneiras.
O álcool produz uma dependência muito grande entre os índios. Fazemos algumas barreiras para impedir, mas é difícil"
Bruno Pereira
"Buscamos mostrar quais os mecanismos e os riscos da entrada ilegal do
álcool nas terras indígenas, mas o comércio dessas bebidas depende de
várias situações. A nossa ideia é ouvir os índios e traçar planos de
atenção especial às comunidades para que entendam que possuem uma
doença", explicou a pesquisadora.
A discriminação para com os indígenas por parte dos profissionais de
saúde também estão relacionados com a precaução ao alcoolismo. " É
necessário que a metodologia que os médicos utilizam realmente ofereça o
tratamento e assistência que os pacientes necessitam quando se fala em
alcoolismo. Poucos enfatizam os problemas do álcool", salientou a
pesquisadora.
Alcoolismo em Atalaia do Norte
O município de Atalaia do Norte, 1.138 km de Manaus, é o terceiro a ser
estudado pela Seind. A parceria com instituições municipais, como a
Fundação Nacional do Índio (Funai) local, visa levantar a frente de
combate à disseminação da doença.
Em geral, os índios recebem os primeiros atendimentos na Casa de Saúde
do Índio (Casai) de Atalaia do Norte, mas a bebida é uma característica
vivida indiscriminadamente nas aldeias da cidade.
Segundo o coordenador regional da Funai do município, Bruno Pereira, o
envolvimento de índios com bebidas alcoólicas atinge os povos residentes
na região Juruá, Purus além dos índios do Javari.
"O álcool produz uma dependência muita alta entre os índios e trata-se
de um tema delicado. Em geral, as tribos mais próximas de Atalaia tem
mais acesso a bebidas, mas as aldeias mais distantes conseguem também.
Fazemos algumas barreiras para tentar impedir, mas é difícil", explicou
Bruno Pereira.
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