A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) acompanha
estes processos de ampliação de áreas indígenas com atenção a fim de
prestar toda orientação necessária aos produtores rurais que tiverem
propriedades inseridas nessas novas delimitações. De acordo com dados
da própria Funai, Mato Grosso possui 57 TI’s regularizadas, com área
total de 11,28 milhões de hectares (ha) para uma população de 24,9 mil
índios. Além destas, existem seis TI’s delimitadas (1,5 milhões de ha) e
oito TI’s declaradas (841,08 mil ha). As áreas declaradas são aquelas
que já possuem os perímetros definidos. E as delimitadas são as que
estão demarcadas fisicamente por meio de marcos geográficos e
reconhecidas pelo Ministé rio da Justiça.
Para a criação de uma TI, a Funai segue alguma etapas internamente: a
primeira refere-se à elaboração de planos e estudos de viabilidade para
formação da TI e posterior publicação no Diário Oficial da União. Em
seguida, esta área em estudo passa pela análise de outros departamentos
da própria fundação e segue para validação do Ministério da Justiça.
Este é um ponto que merece destaque: “A Funai exerce os três poderes ao
criar uma Terra Indígena, ou seja, emite as instruções normativas como
poder Legislativo, demarca como poder Executivo e cuida dos recursos
administrativos como o Judiciário. E tudo isso sem dar a chance para que
as pessoas residentes nas áreas se manifestem. Isso é muito
preocupante. Em um estado de direito como o nosso é o trabalho entre
instâncias distintas e independentes que garante a transparência de todo
o processo.”, avalia Prado.
Para se ter uma ideia da complexidade e da abrangência do assunto, a
Famato analisou as últimas criações e/ou ampliações de TI’s em Mato
Grosso e constatou que a média de cada área corresponde a 150 mil
hectares. Se considerar as 21 novas terras que estão em estudo, serão
cera de 3 milhões de hectares, além dos 13 milhões ha existentes entre
as regularizadas, delimitadas e demarcadas. Isso representa 18% da área
do Estado de Mato Grosso.
“É direito constitucional e é justo que os índios tenham terras. Mas é
importante lembrar que estes processos de criação ou ampliação de áreas
indígenas atingem vários setores da sociedade e não apenas os produtores
rurais. E todos os índios e não índios devem ser ouvidos”, destaca
Prado.
Informações: http://www.24horasnews.com.br
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